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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Parque Aquatico de Xique-Xique (BA): FINAL DE SEMANA



     É assim que fica o Parque Aquático de Xique-Xique (BA), nos finais de semana.
     Não só o povo da cidade mas também muitos das comunidades vizinhas se dirigem a Xique-Xique para se divertirem e aplacarem o calor.
    Não faltam  piscinas e outras distrações para adultos e pequenos.

Árvores da Caatinga - A IMBURANA




A IMBURANA

Nome Botânico: Commiphora leptophloeos

Família: Burseraceae
Sinônimos populares:umburana, emburana
A Imburana é árvore típica do Nordeste brasileiro, podendo chegar a uma altura média de 5 metros, muito esgalhada, com ramos tortuosos, com o tronco revestido de lâminas delgadas, lisas e lustrosas. As folhas são alternadas, verde-claro rosadas, ásperas e pequenas. A madeira da imburana é mole e leve, porém homogênea e rija, muito usada no artesanato, na marcenaria e na construção civil. A flor é pequena e vai do marrom ao laranja claro, reunidas em pequenos grupos. O período de floração fica entre setembro a dezembro. Seus frutos chegam ao máximo a 1,5 centímetros e são comestíveis quando bem maduros. A semente é ótima para problemas de digestão. No período da seca perde todas as folhas. A propagação é feita por sementes ou estacas. A mais comum é a utilização de estacas que plantadas antes do início das chuvas pegam com muita facilidade e por isso são usadas como cercas vivas nas propriedades rurais, evitando assim ter de sempre substituir as estacas velhas por novas. A casca da imburana, como medicamento, é muito utilizada pelos nordestinos, colocada em infusão ou como xarope, principalmente como cicatrizante e tratamento de feridas, gastrite, úlceras. Também é usada contra tosses, bronquites e inflamações do trato urinário. Por fornecer pólen e nectar para as abelhas o seu tronco é muito utilizado por esses insetos nativos para formação de colmeias. O tronco, por incisão fornece um bálsamo sucedâneo da terebentina, muito usado no fabrico de vernizes e lacres. A imburana é nativa do Nordeste e faz parte da cultura nordestina.

OBSERVAÇÕES PESSOAIS SOBRE AS UMBURANAS

Há que se diferenciar a umburana-de-cheiro da umburana-de-boi. A umburana-de-cheiro é a que possui semente que funciona como excelente digestivo. Segundo os especialistas fitoterápicos é uma árvore aromática da qual se pode obter efeito anticoagulante, antiinflamatório, broncodilatador, cardiotônico, diaforético, estimulante, estomáquico, febrífugo, narcótico, peitoral. Toda esta gama de propriedades não afianço, mas, é um dos remédios mais eficazes que conheço para indisposições estomacais.
A semente aparece envolvida numa membrana translúcida e com uma cauda em forma de asa.

A vagem seca se abre presa ao galho e as sementes são lançadas ao espaço. Nesse momento, a cauda, tremulando ao vento, evita a queda vertical e, funcionando como um leme, leva o conjunto a pousar a distâncias inacreditáveis do ponto de origem do movimento. O vôo da semente da umburana-de-cheiro, ao cair, se assemelha ao vôo de um helicóptero. É a forma encontrada pela natureza para garantir a proliferação desconcentrada e dispersa em grandes áreas.
Embora a semente possua um sabor amargo e cáustico ela é muito cobiçada por animais como o veado e o caititu. É curioso o que tenho observado. Esses animais, quando as sementes estão a cair da árvore, vêm quase todos os dias à sua cata. A quantidade consumida por cada animal, no entanto, é ínfima. Tenho a impressão, e isso não possui comprovação científica, de que os animais se utilizam destas sementes como um poderoso digestivo. Vale ressaltar que a secagem das vagens e queda das sementes ocorre no período da seca, quando os animais ingerem muita fibra com pouca ou quase nenhuma água.
A umburana-de-cheiro esteve a ponto de desaparecer das nossas matas em vista do caráter predatório do seu corte para utilização em artesanato, por ser uma madeira mole e de fácil entalhe.
A semente é encontrada com facilidade em todas as feiras livres do nosso sertão e Xique-Xique não é uma exceção. Constituem uma fonte de renda para a população carente.
A despeito de todas as qualidades desta árvore, sou testemunha ocular de uma cena entristecedora. Certa feita, dirigi-me ao local onde sabia existir uma umburana-de-cheiro. Encontrei-a completamente desgalhada e os galhos espalhados à sua volta. Tratava-se de um extrativismo predatório. Alguém, sem qualquer senso de preservação ambiental, assim procedeu para que as vagens, ainda maduras, secassem ao chão de forma mais rápida e facilitasse o assim o processo de colheita, posteriormente. Soube depois que esse era um procedimento comum junto aos catadores de sementes. Fiquei estarrecido com tanta falta de sensibilidade. É uma pena!
A umburana-de-boi, por outro lado, é aquela com a qual se executa cercas com moirões vivos e possui frutos minúsculos e adstringentes. São árvores mais disseminadas nas nossas caatingas do que a umburana-de-cheiro. Essa última é árvore que ocorre com certa raridade como tudo que é especial.
Como curiosidade, tive um amigo topógrafo que, diariamente, mastigava algumas sementes de umburana-de-cheiro. Inquiri-o sobre a razão deste proceder e ele me disse que usava como afrodisíaco. Ponderei que conhecia a umburana-de-cheiro como excelente digestivo e regulador das funções estomacais. Ele, então, saiu-se com essa. Meu pai me dizia que o estômago funcionando a contento tudo mais flui normalmente. Tive que me calar e concordar.


Fonte: Blog do Juarez Chaves

Planos de saúde terão de informar qualidade dos serviços


A partir do mês que vem, todas as operadoras de planos de saúde serão obrigadas a informar aos clientes indicativos de qualidade de sua rede de prestadores de serviço. Em entrevista ao Estado, o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), André Longo, revelou que hospitais, laboratórios e médicos serão qualificados de acordo com uma série de critérios estabelecidos pela agência.
O resultado dessa avaliação deverá ser publicado pelas operadoras em todo o material de divulgação de sua rede assistencial, nas versões online e impressa. A iniciativa faz parte do programa Qualiss, desenvolvido pela ANS para tentar melhorar o controle sobre a qualidade do serviço prestado.
"O programa vai pontuar, por um conjunto de atributos de qualificação, tanto os profissionais quanto a rede hospitalar, clínica e de laboratórios que têm convênio com operadoras. Queremos avaliar a qualidade desse serviço que está sendo prestado ao consumidor para dar mais segurança e, também, para dar uma divulgação desses indicadores e facilitar a escolha do consumidor quando for buscar algum tipo de serviço", disse Longo.
Entre os atributos que serão medidos estão, entre os hospitais, taxa de infecção hospitalar, taxa de mortalidade cirúrgica, acessibilidade à pessoa com deficiência, tempo de espera na urgência e emergência e satisfação do cliente. Os médicos que atendem em consultórios também serão avaliados.
"Vamos ver se ele tem residência médica, se tem alguma especialização, se atende aos registros necessários da Vigilância Sanitária, se participa de programas como o Notivisa, que é de notificação compulsória de eventos junto à Vigilância Sanitária", explica o diretor-presidente da ANS. As operadoras que não publicarem as informações passadas pelo prestador de serviço receberão multa de R$ 35 mil.
Reclamações.
Longo contou ainda que, também em março, a ANS atuará com o mesmo rigor com todos as reclamações recebidas contra planos de saúde, incluindo as falhas não relacionadas à cobertura. Hoje, a agência só dá prazo máximo para as operadoras responderem esse tipo de problema. A partir do dia 17 do mês que vem, as reclamações sobre outros assuntos, como reajustes abusivos e quebras de contrato, receberão o mesmo tratamento.
"Hoje, essas demandas são tratadas sem um fluxo de tempo para a resposta. Isso vai passar a existir e o consumidor vai poder, até mesmo, acompanhar as suas demandas no site da agência", disse. Segundo Longo, somente no ano passado, a ANS recebeu mais de 100 mil reclamações. Cerca de 70 mil delas foram relacionadas à cobertura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Metade da produção da Petrobrás na Bacia Campos é água

A Petrobrás enfrenta uma perda de produtividade cada vez maior na Bacia de Campos, que responde por quase 80% da produção de petróleo do País. Na média, a estatal tem tirado um barril de água para cada barril de petróleo extraído. A queda na produtividade tem sido tão grande que anula os resultados excepcionais do pré-sal, fazendo a produção total da empresa estagnar e até cair.
A quantidade de água nas plataformas já passa de 1,5 milhão de barris por dia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O motivo seria o pouco investimento em novos poços, declínio natural e má gestão dos reservatórios, segundo fontes e geólogos.
"Algo muito sério está acontecendo na Bacia de Campos", disse o geólogo Pedro Zalán, da consultoria Zag. Ele atribui a queda primordialmente à falta de investimentos em novos poços e de injeção de água, com a Petrobrás desviando suas sondas e esforços para a área do pré-sal. O declínio natural de campos antigos (maduros) e a má gestão de reservatórios viriam a seguir, nesta ordem, disse.
Já o geólogo e consultor John Forman diz que o excesso de água também é efeito da corrida da companhia pela autossuficiência. "Forçar a produção tem consequências", disse. Forman explica que o ritmo de produção mais intenso que o adequado faz a água naturalmente contida dentro do reservatório subir mais rapidamente, reduzindo o potencial total de extração de óleo. "Possivelmente seria produzido mais óleo hoje se não tivessem acelerado a produção lá atrás", disse.
O analista do HSBC Luiz Carvalho chamou a atenção para o fenômeno em seu último relatório. A Petrobrás chegou a informar em agosto que a produção de água foi maior do que a de óleo, a primeira vez que isso aconteceu. "Para nós é uma clara preocupação", disse. "Seguindo uma tendência dos últimos seis meses, o excesso de produção de água como um subproduto se tornou um sério problema na Bacia de Campos."

Descoberta variante do genoma que evita asma e obesidade


  • É a 1ª vez que se consegue teste convincente da existência de uma variante genética para asma e obes
Pesquisadores espanhóis da Universidade Pompeu Fabra (UPF) de Barcelona (Espanha) descobriram uma variante comum do genoma humano que protege da asma e da obesidade.
Segundo informou nesta sexta-feira, 21, a UPF, é a primeira vez que se consegue um teste convincente da existência de uma variante genética comum para asma e obesidade e que esta varia segundo a origem dos indivíduos.
O estudo, realizado pelo Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (CREAL) e pelo Departamento de Ciências Experimentais e Saúde (CEXS), ambos da UPF, analisou os dados de 5.800 pessoas de Europa, Ásia, África e América.
Os resultados da pesquisa, publicado pela revista "The American Journal of Human Genetics", foram obtidos utilizando novas ferramentas bioinformáticas (inveRsion).
Estas são capazes de analisar o genoma completo para detectar regiões onde há inversões (alterações que podem ou não derivar em patologia) e analisá-las em relação a doenças comuns usando dados existentes de indivíduos estudados.
Segundo explicou o especialista em bioinformática Juan Ramón González, pesquisador do CREAL, "até agora este tipo de estudo era muito custoso já que não existiam métodos para analisar de forma massiva as inversões genômicos em grandes populações".
Os resultados mostram que a região genômica analisada varia segundo o continente de onde proceda a pessoa.
Fonte: A Tarde

Homem é preso após estuprar a mãe de 85 anos


Um homem foi preso na noite desta sexta-feira, 21, acusado de estuprar a mãe de 85 anos. De acordo com a Superintendência de Telecomunicações das Polícias (Stelecom), policiais militares prenderam Arlindo Brito Pereira, de 54 anos, em flagrante enquanto moradores de Fazenda Grande do Retiro tentavam linchá-lo. A vítima foi socorrida para o Hospital Geral do Estado (HGE). Não há informações sobre o estado de saúde da idosa.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

CONCURSO FEDERAL: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA - VAGAS PARA BAHIA

Concurso federal - O concurso do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) oferece 796 vagas para o Brasil. Destas, 5 são destinadas para a Bahia. Os cargos são de níveis superior e médio. A taxa de inscrição varia entre R$ 71 e R$ 50. Os candidatos podem se inscrever até 6/3, pelo site www.consulplan.net.
Das cinco vagas para a Bahia, duas são para quem tem nível superior. Uma é para atuar no município de Itapetinga como veterinário. A outra vaga é para zootecnistas que queiram trabalhar na capital baiana. A remuneração para ambos os cargos é R$ 12.539,38 e a carga horária é de 40h semanais.
As demais três vagas para o estado são de nível médio, para trabalhar em Salvador. O cargo é para agente de inspeção sanitária e industrial de produtos de origem animal (Aisipoa). Os aprovados no concurso passam a ganhar  R$ 5.850,79 por mês, já inclusa gratificação por desempenho de atividade técnica. A jornada de trabalho também é de 40h semanais.

Bahia é 1º estado a liberar bebida alcoólica nos estádios

Sancionada na sexta-feira, a lei (nº 12.959) que libera a venda de bebidas alcoólicas nos estádios em todo o território da Bahia foi publicada ontem no Diário Oficial.
Desde 2008, quando a CBF incluiu o veto no Regulamento Geral das Competições, a comercialização de bebidas alcoólicas no interior dos estádios do país estava proibida. No entanto, uma alteração feita este ano pela própria entidade trouxe observação para o caso de existirem leis estaduais que regulamentem o consumo.

Assim, a Bahia passa a ser o primeiro estado do Brasil, quatro meses antes do início da Copa do Mundo, a ter de volta a permissão para comercializar essas bebidas.
A lei havia entrado em vigor para os embates de ontem, em Pituaçu, entre Galícia e Serrano, pelo Baianão. E vale também para os jogos de hoje: Vitória x Ceará, em Pituaçu, pela Copa do Nordeste, e Vitória da Conquista x Juazeirense, em Conquista, pelo Estadual.

A iniciativa para a liberação partiu do deputado João Bonfim (PDT). Ele criou o projeto, que teve o deputado Elmar Nascimento (PR) como relator. No entanto, a proposta, aprovada na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) no dia 27 de janeiro, sofreu alterações em relação ao texto final da lei.

Pontos reguladores foram excluídos pelo governador Jaques Wagner. No projeto, Bonfim sugeria que a venda começasse 1h30 antes e acabasse meia-hora antes do término dos jogos. No texto final, foi definido apenas que a comercialização terá início duas horas antes das partidas, sem limite para acabar.

A proposta também previa que, nas arquibancadas, fossem liberadas bebidas com teor alcoólico inferior a 20%, como cervejas e destilados conhecidos como 'ice'. Apenas em áreas VIP e camarotes este limite seria estendido para 43%, compreendendo bebidas mais pesadas, como uísque e vodka. Porém, a lei aprovada por Wagner exclui este adendo, permitindo a venda de bebidas de qualquer teor alcoólico em qualquer local da praça esportiva.

Sobre as mudanças, João Bonfim comentou: "Foi feito um acordo, pois viu-se que não era necessário fazer essas restrições. O governador foi sensato ao sancionar a lei, embora eu tenha percebido alguma resistência do Ministério Público".
Interesses? - Contrário à liberação, o deputado Capitão Tadeu (PSB) afirmou: "Lamento essa atitude, que vai de encontro a todos os esforços feitos para reduzir as causas da violência nos estádios. Uma delas é o álcool, pois trata-se de uma droga".
Tadeu promete ir ao Ministério Público para saber se há a possibilidade de reverter a situação. De antemão, faz um questionamento: "Estaria o governo atendendo aos interesses das cervejarias? A polícia que se acabe para coibir a violência".
Fonte: A Tarde

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sem concluir o 1º, governo prepara PAC 3 mirando mobilidade e internet


No papel. As obras no Arco Rodoviário do Rio estão paralisadas
Foto: Guito Moreto/7-2-2014
No papel. As obras no Arco Rodoviário do Rio estão paralisadas Guito Moreto/7-2-2014
BRASÍLIA — Com obras da primeira e segunda etapas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) travadas ou atrasadas em até seis anos — caso do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro — o governo da presidente Dilma Rousseff já prepara o PAC 3 para ser executado a partir de 2015. Com previsão de lançamento no próximo mês de abril, em pleno ano eleitoral, o programa terá perfil voltado para obras de caráter social e urbano, com impacto no dia a dia das pessoas e que atendam às demandas das ruas.
— São coisas mais ágeis e que possam mostrar resultado logo — disse um técnico a par das discussões que têm ocorrido nas últimas semanas.
O PAC 3 vem sendo inspirado pelas manifestações de rua ocorridas a partir de junho do ano passado, quando surgiram pressões populares por melhorias nos serviços públicos, principalmente de transporte. Mobilidade urbana em grandes e médias cidades, portanto, é um dos pontos centrais do programa em elaboração, que deverá ter destaque também para a adaptação de rodovias que façam o contorno de cidades e a pavimentação de vias urbanas para aliviar o trânsito local.
— No passado, as pessoas queriam morar perto das BRs (rodovias), mas agora todos querem as estradas longe dos municípios. Por isso, a tônica do governo hoje é tirar o trânsito pesado das grandes cidades, e o PAC 3 deverá ter um programa especial para contornos rodoviários — explicou um gestor do governo federal do setor de transportes.
Outro empreendimento certo e de grande impacto popular é a expansão de redes de telecomunicações para oferecer uma banda larga melhor, com a ampliação do PAC Cidades Digitais. Segundo técnicos que trabalham na proposta, a ideia é melhorar tanto a oferta de internet banda larga quanto a velocidade. Eles lembraram que o setor de telecomunicações tem grande apelo junto à camada mais jovem da população, que foi às ruas e está sempre conectada em redes sociais como o Facebook e o Twitter.
Com um PAC mais popular, preparado sob inspiração do marqueteiro João Santana, o governo também poderá retomar a imagem de Dilma Rousseff como “mãe do PAC”, algo que, avalia-se, ajudou a presidente a se eleger em 2010. Em março daquele ano, o lançamento do PAC 2, com R$ 1 trilhão de investimentos previstos até 2014, foi um dos primeiros eventos de lançamento da campanha de Dilma, que chamou o PAC de “herança bendita” do governo Lula.
Também devem entrar na nova etapa do PAC obras de saneamento básico e do programa Minha Casa Minha Vida, que afetam mais diretamente a qualidade de vida das pessoas do que refinarias ou ferrovias, por exemplo.
Obras com até seis anos de atraso
Um integrante do governo explicou que as construtoras brasileiras já estão sobrecarregadas com as grandes obras do PAC que estão sendo executadas e, portanto, seria a vez de escolher obras mais indicadas às médias empreiteiras, como aeroportos regionais, por exemplo.
Além disso, não haveria tanta demanda no país para empreendimentos estruturantes de porte gigantesco como aqueles que se destacavam no PAC 1 e no PAC 2. Por isso, o novo programa terá mais foco em projetos para os quais já há uma infraestrutura prévia no país instalada, como a expansão da rede de banda larga. Dessa forma, não seriam necessários longos processos de licitação ou de licenciamento ambiental para que os projetos saiam do papel. Ainda assim, avanços que acelerem as licenças ambientais também deverão acompanhar o PAC 3.
Embora o balanço do PAC 2, previsto para ser apresentado na próxima quinta-feira, provavelmente indique o cumprimento da meta de investimentos do governo até o fim de 2014, de quase R$ 1 trilhão, boa parte desse volume é puxada por financiamentos habitacionais, enquanto que algumas das principais e mais caras obras estruturantes do programa patinam desde a primeira edição do PAC.
O Arco Rodoviário do Rio, por exemplo, que no PAC 1 tinha previsão de conclusão em 2010, ainda no governo Lula, só deverá ser entregue em 2016, com a construção do trecho de Manilha a Santa Guilhermina. O Trem de Alta Velocidade (TAV), que figura nos balanços do PAC desde o governo Lula, não saiu do papel e agora tem previsão de contratação do projeto básico só para o fim deste ano.
Refinaria com execução de apenas 10%
A obra mais cara do PAC 1, a refinaria Premium 1, no Maranhão, incorporada ao PAC 2, aparecia no último balanço oficial, apresentado em outubro, com execução de apenas 10%, mesmo tendo sido concebida há mais de quatro anos. A previsão de início de operação passou de dezembro deste ano para outubro de 2017, mas a Petrobras recentemente desistiu do projeto original e agora procura parceiros no exterior para achar uma solução que reduza o custo da construção, de R$ 40 bilhões, sem comprometer o volume de produção.
Nos três anos do governo Dilma, segundo dados obtidos junto ao Ministério do Planejamento, responsável pelo PAC, a dotação do programa chegou a R$ 181,42 bilhões, sendo que R$ 152,4 bilhões foram empenhados (promessa de pagamento futuro). E R$ 112,03 bilhões foram efetivamente pagos, 61,75% da dotação original. O valor previsto no Orçamento federal de 2014 para o PAC é de R$ 61,4 bilhões.
Em 2013, foram gastos com o programa R$ 44,71 bilhões, mas a dotação original no Orçamento da União era de R$ 67,02 bilhões. Desses R$ 44,71 bilhões efetivamente pagos, a maior parte foi relativa aos chamados “restos a pagar”, em volume de R$ 25,12 bilhões. Ou seja, despesas de anos anteriores pagas no exercício. Para 2014, as obras do PAC têm uma verba de R$ 61,4 bilhões prevista no Orçamento da União.
O governo assegura que o ritmo de execução das obras não será prejudicado pelas eleições deste ano. Isso porque, em 2007, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que permite o repasse de recursos para o PAC mesmo em período eleitoral, diferentemente das demais obras.
“Não haverá dificuldade para a liberação de recursos de obras do PAC, nem mesmo em ano eleitoral. Ao contrário, uma inovação fundamental do PAC é a garantia de recursos orçamentários e financeiros”, informou o Ministério do Planejamento por meio de nota



Jovens hoje são mais políticos e menos partidários do que os das Diretas Já


O ano de 2013 surpreendeu quem acreditava na apatia política do jovem brasileiro. Milhões saíram às ruas e movimentaram a agenda politica nacional a partir do grito por passe livre no transporte público. No dia 21, auge das manifestações que marcaram o mês de junho, 100 mil pessoas tomaram as principais vias paulistanas e pararam a capital financeira do País. O número, mesmo gigantesco, é menos de um décimo da massa de 1,7 milhão que encheu o centro de São Paulo no dia 17 de abril de 1984, todos entoando o grito por Diretas Já.
Nas três décadas que separam os dois momentos políticos, seis presidentes foram eleitos diretamente, os brasileiros viram suas opções de partido saltarem de quatro (PMDB, PTB, PDT, PT) para 32, e a população saltar de 129 milhões para mais de 202 milhões. No período de maior estabilidade democrática do Brasil, o PIB per capita cresceu mais de oito vezes, saltando de R$ 2.696 em 1984 para R$ 22.235 em 2012, embora não na mesma proporção que a distribuição de renda. As manifestações, que começaram em março de 1983, em uma era sem internet e à mercê da TV e dos Correios, levaran um ano para cair no gosto do brasileiro. Em 2013, o País entrou em chamas em menos de um mês. 
Leia mais sobre os 30 anos da Diretas Já:
Uma coisa não mudou: a disposição política do jovem. Apesar das mudanças das bandeiras e dos métodos de expressão escolhidos, a geração que se formou sem vivenciar as Diretas ou o movimento dos Caras Pintadas em 1992, também se preocupa com política - mas não a "velha política" de sempre. Para o professor da Unesp Marco Aurélio Nogueira, autor do livro “As Ruas e A Democracia”, os jovens de hoje são resistentes a algumas características dos partidos, como estrutura hierárquica e ritos burocráticos. "Antes, em 84, os jovens eram mais ‘partidários’. Hoje, são mais ‘políticos’, no sentido de que se preocupam mais com o modo de intervir para que a vida coletiva melhore. Além disso, não aceitam a ideia de que seria preciso fazer uma entrega incondicional à política, como se a política devesse ocupar a maior parte do tempo de vida de alguém. [Eles] negociam seu engajamento e buscam preservar zonas consistentes de vida fora da política", analisa.
Para o o historiador da UFRJ Carlos Fico, é errada a leitura de que hoje "os jovens são despolitizados". "A juventude tem uma politização que, claro, tem características diferentes, mas que estão sempre dispostos. A política muda, e a própria forma de manifestação muda. Hoje em dia há um importante papel das redes sociais, que antes não existia. Os objetivos são distintos. As manifestações hoje em dia tem uma inteligência muito grande, principalmente em relação aos eventos simbólicos. Os rolezinhos, por exemplo, os meninos que fazem têm noção consciente ou inconsciente da importância de aparecer na mídia", afirmou.
Todos filmam, fotografam, ensaiam gritos de guerra e performances, contra a polícia, o sistema, o mercado. As bandeiras variam, mas todas orbitam em torno de maior acesso à cidadania: transporte, saúde, educação etc. A tática black bloc, marca das manifestações após a redução da tarifa (de julho em diante), explora a força dos símbolos em todas as suas ações: das máscaras pretas para não serem identificados aos alvos escolhidos nas quebradeiras dos rescaldos dos protestos, como as agência bancárias.  

Após prisão, petistas tentam isolar Pizzolato

A prisão de Henrique Pizzolato na Itália na semana passada com documentos falsos e a descoberta de um plano de fuga que remonta a 2007, cinco anos antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) dar suas sentenças sobre o mensalão, deixaram parte dos petistas constrangida e já levam os integrantes do partido da presidente Dilma Rousseff a tentar "isolar" o caso do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil.
O relato da tentativa de Pizzolato de se passar por Celso, seu irmão morto num acidente de carro em 1978, inclusive na hora em que foi descoberto pela polícia italiana, contrasta com as imagens da prisão, em novembro do ano passado, de petistas com os braços levantados, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino.
O gesto que buscou dar uma conotação de "julgamento político" ao mensalão também foi repetido pelo ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, dias antes de sua prisão, e virou provocação quando feito pelo vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), ao lado do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, na cerimônia de abertura do ano legislativo.
A reação de constrangimento com Pizzolato veio do líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP). "Quando foge parece que está assumindo a culpa. É um sentimento de vergonha que fica para a militância do PT", disse na quinta. "Estamos defendendo a tese da inocência, combatendo o que foi feito no julgamento, então ele não tinha que ter fugido." No dia seguinte, Vicentinho disse ter feito só um "desabafo". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PT entrará com ação por danos morais contra Mendes

  • Falcão explicou que o partido já interpelou Mendes (foto) junto ao STF
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, revelou há pouco que o partido entrará, na próxima quarta-feira (12), com uma ação por danos morais contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo são as declarações de Mendes de que as doações feitas para o pagamento de multas de petistas condenados e presos pelo mensalão poderiam ser fruto de lavagem de dinheiro.
Falcão explicou que o partido já interpelou Mendes junto ao STF para que ele explique formalmente as declarações e prometeu ampliar o ataque ao ministro. "A declaração do Gilmar Mendes é uma tentativa de intimidar. O interpelamos judicialmente para que ele se explique e, na quarta-feira, ingressaremos com ação de danos morais, porque (ele) não tem direito de atingir o PT", disse Falcão, em discurso em Ribeirão Preto (SP), no lançamento da "Caravana Horizonte Paulista", evento que antecede a provável campanha do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo paulista.

Lula ataca ministros do Supremo Tribunal Federal


  • Margarida Neide | Ag. A TARDE
    Ex-presidente fez defesa veemente do PT e de filiados condenados
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez em Ribeirão Preto (SP), uma defesa veemente do PT e dos filiados que foram presos após serem condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do mensalão. "O nosso partido está sofrendo; temos companheiros presos, somos solidários e queremos justiça." Lula ainda atacou, sem citá-los nominalmente, os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, do STF, por eles terem feitos declarações públicas sobre o processo após a condenação dos réus.
Em relação a Mendes, que declarou que doações feitas para o pagamento de multas de petistas condenados e presos poderiam ser fruto de lavagem de dinheiro, Lula disse que "o grande papel do ministro da Suprema Corte é falar nos autos do processo e não falar para a televisão o que ele pensa", disse. "Se quer fazer política, que entre para um partido", completou Lula, que participa do lançamento da "Caravana Horizonte Paulista", marco do início da pré-campanha do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.
Para Barbosa, indicado por Lula ao STF, o petista comentou: "Quando você indica alguém, você está dando um emprego vitalício e o cidadão, quando quer fazer política, diga (...) não aceito ser ministro, vou ser deputado, entrar para um partido político e mostrar a cara".

Lula: 'tucano tem bico bonito, mas é de bicho predador'

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar, há pouco, que o tucano, símbolo do PSDB, é um "bicho predador", repetindo o ataque aos adversários feitos ainda quando era presidente. "Os tucanos não brincam em serviço, porque ninguém tem um bico daquele tamanhão à toa. É um bico bonito, mas é um bico de um bicho predador, de comedor de filhotinho e de ovo", disse ele, em Ribeirão Preto (SP), no lançamento da "Caravana Horizonte Paulista", série de viagens que o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha fará pelo interior do Estado antes do lançamento oficial de sua campanha ao governo paulista.
Lula disse que o PT nunca esteve tão preparado para governar São Paulo e o PSDB "tão despreparado" e brincou com o ânimo de Padilha. "Padilha está com tesão demais, com o brilho no olho e o discurso de quem quer ganhar as eleições. E está disposto a andar São Paulo para ganhar", afirmou. "Os tucanos vão ter surpresa bastante desagradável."

Decretada prisão de prefeito no Amazonas por pedofilia

  • Reprodução | TV Globo
    O prefeito é suspeito da prática de crimes sexuais contra crianças
O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PRP), deverá se entregar neste sábado (08) à polícia. A prisão preventiva dele e de mais cinco pessoas acusadas de exploração sexual infantil foi decretada nesta sexta-feira (07) pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) Djalma Martins. Ele acatou o pedido do Ministério Público do Estado.
O processo tramita em segredo de Justiça. O prefeito é suspeito da prática de crimes sexuais contra crianças entre 9 e 11 anos naquele município e já havia sido preso nos anos de 2007 e 2009 e respondido sobre o assunto à CPI da Pedofilia na Câmara.
Contra ele tramitam pelo menos 70 ações na Justiça do Amazonas. Apesar da gravidade de algumas das acusações, os processos estão parados à espera de julgamento. O assunto voltou à tona nesta semana, após reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo.
A lentidão nos processos chamou a atenção da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que pediu o afastamento do prefeito do cargo. Segundo ela, há várias denúncias de "coação de testemunhas" e deveria ainda ser estudado o envio do caso para a Justiça Federal. Vítimas também alegam que o poder do prefeito e de pessoas ligadas a ele contribuiriam com o atraso nos processos.
Em 2006, a Polícia Federal começou a investigar Pinheiro por indícios de desvio de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Com base nas escutas telefônicas autorizadas é que surgiram as denúncias de pedofilia.
O advogado de Adail Pinheiro, Alberto Simonetti, ressaltou que não tinha conhecimento de que a prisão de seu cliente havia sido decretada. "Só irei me pronunciar quando tiver o documento em minhas mãos." Simonetti chegou a ingressar nesta sexta-feira (07) na Justiça com um "pedido de garantia da integridade de seu cliente", para garantir que o prefeito não fosse preso.
Segundo o procurador-geral do Ministério Público amazonense, Francisco Cruz, o pedido de prisão teve por base informações da força-tarefa enviada ao município de Coari no ano passado. "Tomamos essa decisão para garantir a ordem pública, evitar que novas vítimas sejam molestadas e testemunhas sejam ameaçadas. Além do prefeito de Coari, outras cinco pessoas, entre elas agentes públicos, foram denunciadas por meio dessa ação."
CPI
Na quinta-feira (06), 19 deputados estaduais assinaram o requerimento para a criação e instalação de uma CPI da Pedofilia no Estado. O procedimento será analisado na próxima semana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR, QUE NO BRASIL NÃO TEMOS NOSSO PRÓPRIO IDIOMA? AFINAL, EXISTE ‘LÍNGUA BRASILEIRA’?

Vou tentar responder objetivamente e com a maior simplicidade possível. Aqui no Brasil nós ainda falamos a língua portuguesa. Temos, na minha opinião, um falar brasileiro, que seria um modo brasileiro de usar a língua portuguesa.
É importante lembrar o que afirmaram alguns estudiosos: o professor Antenor Nascentes não falava em língua brasileira e sim em “idioma nacional”; o mestre Gladstone Chaves de Melo falava em língua comum e variantes regionais; e o grande filólogo Serafim da Silva Neto afirmou que o português culto do Brasil é quase igual ao português culto de Portugal. Isso significa, portanto, que as diferenças maiores estão na linguagem do dia a dia.
No livro A língua portuguesa e a unidade do Brasil, o mestre Leodegário de Azevedo Filho resume bem: “Em poucas palavras, existe unidade na variedade de normas e de usos linguísticos. E isso porque, se os morfemas gramaticais permanecem os mesmos, a língua não mudou, a despeito de qualquer variação de pronúncia, de vocabulário ou mesmo de sintaxe.”
O que existe na verdade são variantes linguísticas:
a)    variantes geográficas: nacionais (Brasil, Portugal, Angola…) e regionais (falar gaúcho, mineiro, baiano, pernambucano…);
b)    variantes socioeconômicas (vulgar, popular, coloquial, culto…);
c)    variantes expressivas (linguagem da prosa, linguagem poética).
Quem estiver interessado em ver o assunto analisado com maior
profundidade poderá consultar os respeitadíssimos Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, e a Moderna Gramática Portuguesa do nosso querido e eterno mestre Evanildo Bechara.
O importante mesmo é respeitar as diferenças, sejam fonéticas, semânticas ou sintáticas. Vejamos rapidamente algumas diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal.
Uma diferença fonética bem perceptível é a pronúncia das vogais. Aqui no Brasil, nós pronunciamos bem todas as vogais, sejam tônicas ou átonas. Em Portugal, a tendência é só pronunciar bem as vogais tônicas. As vogais átonas são verdadeiramente átonas (=fracas). Uma consequência disso é a colocação dos chamados pronomes átonos (me, te, se, o, lhe, nos…). Em Portugal, por ter a pronúncia fraca, não se põe o pronome átono no início da frase: “Dê-me um cigarro”; no Brasil, como as vogais átonas são pronunciadas como se fossem tônicas, não temos nenhuma dificuldade em pôr os pronomes átonos no início da frase: “Me dá um cigarro”. É assim que o brasileiro fala. E quando me refiro ao brasileiro, estou falando do brasileiro em geral, de todos os níveis sociais e culturais. Não estou fazendo referência ao “povo” com aquela conotação pejorativa e discriminatória que alguns ainda atribuem à palavra. Absurdo é considerar “erro” o uso dos pronomes átonos no início da frase.
Diferenças semânticas existem muitas. Algumas famosas já viraram até piada. Em Portugal, “uma bicha enorme” não é nada mais do que “uma fila imensa”, sem nenhuma outra conotação que algum brasileiro queira dar.
E diferenças sintáticas também existem. No Brasil, nós preferimos o gerúndio (“Estamos trabalhando”); em Portugal, preferem o infinitivo (“Estamos a trabalhar”). No Brasil, gostamos da forma “você”; em Portugal, usam mais o pronome “vos”: “Se eu lesse para você” e “Se eu vos lesse”. Aqui “falar consigo” é “falar com si mesmo”; em Portugal “falar consigo” é “falar com você”. Em Portugal, é frequente o uso de “mais pequeno”; no Brasil, aprendemos que o certo é falar “menor”, que “mais pequeno” é “errado”.

E assim voltamos ao ponto de partida: a eterna briga do certo e do errado. Espero que me perdoem pela repetição, mas não é uma questão simplista de certo ou errado. É uma questão de adequação. Usar “mais pequeno” no Brasil é tão inadequado quanto iniciar uma frase com um pronome átono em Portugal. Por que eu teria de afirmar que alguém está falando “errado” quando o carioca fala “sinal”, o paulista prefere “farol” e o gaúcho usa “sinaleira”? Afinal das contas, é tudo semáforo.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pesquisa vai mostrar como são tratados os negros no sistema judicial



O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deve fazer uma pesquisa para verificar se os jovens negros, na condição de réus, recebem o mesmo tratamento dispensado aos brancos no sistema judicial. “Os jovens negros muitas vezes enfrentam a impossibilidade de acesso à Justiça”, disse o conselheiro Guilherme Calmon. Além da dificuldade de acesso, o estudo, a ser feito pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), do CNJ, vai investigar se os jovens também são discriminados quando acusados de algum delito.

A proposta foi discutida na terça-feira (28/01) pelos representantes das instituições signatárias do Protocolo de Atuação para a Redução de Barreiras de Acesso à Justiça para a Juventude Negra em Situação de Violência, em reunião coordenada pelo conselheiro Guilherme Calmon.

O Protocolo foi assinado em 29 de outubro de 2013 por representantes do CNJ, o Ministério da Justiça, a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR), a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Nacional de Defensores Públicos Gerais (Condege).

Na reunião desta semana, foram definidas as ações a serem executadas por cada um dos órgãos. “Ficou definido o papel de cada instituição, com a atribuição de responsabilidades e definição de prazos”, explicou Douglas Martins, juiz auxiliar da Presidência do CNJ e coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF), do CNJ.

Para Douglas Martins, um passo importante foi a inclusão da questão racial na pauta do Poder Judiciário, com a previsão de realização de seminários e de proposta à Escola Nacional da Magistratura de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) para incluir no currículo de todas as escolas da magistratura matéria sobre discriminação racial.

O CNJ propôs a realização, neste ano, de reuniões com todas as coordenadorias de Infância e Juventude para garantir os direitos dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. O conselho defende a prioridade na aplicação de medidas não restritivas de liberdade aos adolescentes que tenham praticado algum ato ilegal.

Já o Condenge defendeu a criação de núcleos especializados no combate ao racismo nas defensorias públicas, o fortalecimento da ação da defensoria no caso de prisão de jovens negros e a ampliação da presença da defensoria nas localidades mais vulneráveis.

Gilson Luiz Euzébio
Agência CNJ de notícias